O Trovadorismo

Hey!
Lembra-se de que comentei por aqui, uma certa vez, que traria temáticas referentes a literatura e história para os posts? Pois é, agora teremos efetivamente uma parte no blog dedicada a tais temas; não necessariamente relatarei sobre os mesmos em ordem cronológica. Comecemos, então, com uma parte que me encanta: a produção literária da primeira época medieval, vulgo Trovadorismo.

Ainda que Portugal tenha conhecido, durante o primeiro período medieval, manifestações literárias na prosa - como as novelas de cavalaria - e no teatro - como os autos -, foi a poesia que alcançou grande popularidade, tanto entre os nobres das cortes quanto entre as pessoas comuns do povo.

Uma das razões para essa predominância foi o fato da escrita ser pouco difundida na época, o que favorecia a disseminação da poesia, pois era memorizada e transmitida oralmente. Os poemas eram sempre cantados e acompanhados de instrumentos musicais e de dança e, por esse motivo, foram denominados cantigas. Os autores dessas cantigas eram trovadores (aqueles que fazem trovas, rimas), originando a denominação Trovadorismo. Esses poetas geralmente pertenciam a nobreza ou ao clero e, além da letra, criavam também a música das composições que executavam para o seleto público das cortes. Entre as camadas populares, quem cantava e executava as canções, mas não as criava, eram os jograis.

As cantigas chegaram até nós por meio dos cancioneiros, coletâneas de poemas de vários tipos, produzidos por muitos autores. Tradicionalmente se tem apontado a Cantiga da Ribeirinha ou Cantiga da Guarvaia, de Paio Soares de Taveirós, de 1189 ou 1198, como a cantiga mais antiga de que se tem registro.  
As cantigas foram cultivadas tanto no gênero lírico quanto no satírico. Dependendo de algumas características que apresentam - como o eu-lírico, o assunto, a estrutura ou a linguagem -, elas podem ser organizadas em quatro tipos. No gênero lírico: cantigas de amigo e cantigas de amor; no gênero satírico: cantigas de escárnio e cantigas de maldizer.



Cantigas de amor e cantigas de amigo


Ambos os tipo foram cultivados nas cortes portuguesas por trovadores que eram, em geral, nobres do sexo masculino (essa é a parte injusta). Contudo, apresentam certas diferenças de forma e conteúdo.
As cantigas de amigo têm raízes nas tradições da própria península Ibérica, em suas festas rurais e populares, em sua música e dança, nas quais abundam vestígios da cultura árabe. Apresentam normalmente ambientação rural, linguagem e estrutura simples; seu tema mais frequente é o lamento amoroso da moça cujo namorado partiu para a guerra (e essa é a parte clichê).
As cantigas de amor têm raízes na poesia provençal (de Provença, no sul francês), em ambientes aristocráticos das cortes francesas e, portanto, prendem-se a certas convenções de linguagem e de sentimentos. Nessa cantiga, o eu lírico é um homem que pergunta à mulher amada por que ela não corresponde a seus sentimentos. Não se voltando essencialmente para a musicalidade, as cantigas de amor costumam ser mais trabalhadas do que as de amigo, principalmente no que se refere às ideias e às emoções.



Cantigas de escárnio e cantigas de maldizer

Essas constituem a primeira experiência da literatura portuguesa na sátira. Além disso, possuem um importante valor histórico como registro da sociedade medieval portuguesa em seus aspectos culturais, morais e linguísticos.
Menos presas a modelos e convenções do que as cantigas de amigo e de amor, as cantigas satíricas buscam um caminho poético próprio, explorando diferentes recursos expressivos. Voltavam-se para a crítica de costumes, tendo como alvo diferentes representantes da sociedade medieval portuguesa: clérigos devassos, cavaleiros e nobres covardes na guerra, os próprios trovadores e jograis, etc.
Embora as diferenças não sejam rígidas, nas cantigas de escárnio geralmente o nome da pessoa satirizada não é revelado. A linguagem normalmente é carregada de ironia, de sutilezas, trocadilhos e ambiguidades. Já a cantiga de maldizer costuma identificar o nome da pessoa satirizada e fazer-lhe uma crítica direta, em forma de zombaria. A linguagem é mais grosseira, por vezes obscena.

Fonte: Livro Português Linguagens, Volume 1


E então, gostou da temática? Espero que sim! A propósito, esse foi um dos posts que mais gostei de criar, e, se tudo der certo, você poderá encontrar por aqui, posteriormente, mais posts sobre produções literárias.

Até mais! 


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